Brasil
Membros da CPI da Covid-19 travam guerra judicial no recesso; entenda 21/07/2021

CPI da Covid-19 entrou em recesso na última semana e só deve voltar a ter depoimentos no dia 3 de agosto. No entanto, mesmo distantes do colegiado, os senadores continuam trabalhando e, ao mesmo tempo, travando “guerras judiciais”. Flávio Bolsonaro, por exemplo, acusa o relator da comissão, Renan Calheiros, de abuso de autoridade.

 

O senador do Patriota entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) dizendo ser perseguido por uma “CPI paralela” montada pelo colega. Segundo o filho do presidente Jair Bolsonaro, Calheiros financia e legitima a atuação de pessoas formalmente dissociadas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para “realizar investigações privadas, desprovidas de qualquer garantia legal, por meios sórdidos e invasivos”.

 

O senador se baseia em uma reportagem da revista Veja, que afirma que Renan teria se ofendido quando foi chamado de vagabundo por Flávio.

 

Senador Renan Calheiros, relator da CPI da COVID

 

Já o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede) entrou com uma queixa-crime contra o presidente da República. Ele acusa o chefe do Executivo de difamação ao publicar na última segunda-feira, 19, um vídeo em que o senador pedia a aprovação do uso emergencial da Covaxin. Randolfe afirma que o presidente espalha desinformação ao tentar ligá-lo à suposta compra fraudulenta da vacina, denunciada pelos irmãos Miranda.

 

Além da condenação, o senador pede a remoção da postagem e retratação nas redes sociais de Bolsonaro, além de multa de R$ 35 mil.

 

Na visão de Randolfe Rodrigues, o presidente transforma a política em um espaço de agressão e ruptura. “A queixa-crime que movi junto ao Supremo Tribunal Federal não é simplesmente em função da minha honra. É para dizer ao senhor presidente da República que existe limites em um Estado Democrático de Direito quando ele insistir em difamar, agredir as pessoas e espalhar uma cultura de fake news e de ódio”, afirmou.

 

Randolfe Rodrigues, Senador e vice-presidente da CPI da COVID

 

Nesta terça-feira, 20, membros da cúpula da CPI se reuniram virtualmente para traçar estratégias. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD) publicou um vídeo dizendo que o trabalho é técnico, e não político. E que está em busca de provas. “A palavra de ordem é se aprofundar nas investigações, fazer ligações entre empresas, pessoas e servidores para que a gente não cometa injustiça, não saia falando uma coisa e depois não consiga provar. Com certeza iremos chegar a conclusões que a população quer saber”, disse. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer críticas ao colegiado do Senado.

 

Senador Omar Aziz (PSD)

 

Em entrevista à “Voz do Brasil”, ele afirma que a comissão não tem buscado a verdade. “Temos dificuldades em parte da grande mídia, temos dificuldades com uma CPI que está funcionando no parlamento que falta mais transparência para esses órgãos para buscar a verdade do que aconteceu nesse período. O desgaste existe, mas temos a consciência, a tranquilidade que venceremos essa fase também”, pontuou.

 

Bolsonaro também se defendeu sobre a acusação de que o governo federal teria se omitido de comprar vacinas no ano passado. “Quando se fala em vacinas, todos os contratos e negociações, ou quase todos, começaram no ano passado. Não tínhamos como comprar vacinas em 2020 porque não tinha disponível. A primeiro pessoa vacinada foi no início de dezembro e nós começamos a vacinar no mês seguinte”, disse.

 

Presidente da República Jair Bolsonaro

 

Foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido para que o deputado Luis Miranda (DEM) seja investigado por suposta denunciação caluniosa contra Bolsonaro. O requerimento foi feito pelo ministro da Justiça, Anderson Torres. Se o STF aceitar o pedido, Miranda e Bolsonaro serão investigados no mesmo inquérito.

 

 

Fonte: Jovempan.com