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Pressionado, Pazuello alega problemas de saúde e pede para deixar ministério 14/03/2021

O presidente Jair Bolsonaro vai trocar nos próximos dias o comando do Ministério da Saúde , hoje a cargo do general Eduardo Pazuello, segundo fontes do Planalto. De acordo com esses interlocutores do presidente, o atual ministro comunicou a Bolsonaro estar com problemas de saúde e que, por isso, precisará de mais tempo para se a reabilitar. 

 

O pedido de afastamento coincide com o auge da pressão de deputados do Centrão, que pleiteiam mudança no comando da pasta sob pretexto de má gestão durante a pandemia.

Pessoas próximas ao presidente já entraram em contato com dois médicos cardiologistas cotados para substituir Pazuello: Ludhmilla Abrahão Hajjar, professora associada da USP, e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O primeiro nome, como divulgou o blog de Andreia Sadi, é o preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de deputados do Centrão.

 

Além de criticarem a gestão de Pazuello, principalmente por conta do atraso no cronograma de vacinação, deputados do Centrão disseram em caráter reservado ao GLOBO que, com a volta de Lula ao cenário eleitoral, o bloco, hoje na base de Bolsonaro, ganha força para pleitear mais espaços na administração pública.

Sem citar especificamente o Ministério da Saúde, esses parlamentares lembraram que o grupo integrou o governo do petista e, em 2022, servirá como fiel da balança na composição de forças políticas entre o atual presidente e o ex.

Especializada no tratamento de Covid-19, Ludhmila é. 

No sábado, a troca no comando da pasta foi tratada em conversa de Bolsonaro com o presidente da Câmara , deputado Arthur Lira (PP-AL). No final do dia,  Bolsonaro se reuniu com os ministros  Eduardo Pazuello, Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Fernando Azevedo (Defesa) no hotel de Trânsito do Exército, onde mora Pazuello.

Partidos do Centrão têm pressionado para a troca do ministro sob argumento de que a  imagem de Pazuello está desgastada por conta das ações de combate à pandemia . Alegam ainda que o ministro apresentou números divergentes sobre a vacinação da população.

O ministro declarou formalmente ao Congresso que pretende distribuir 38 milhões de doses em março. Em solenidade na quarta-feira no Palácio do Planalto, Pazuello  admitiu que o número pode ser menor.

— Estamos garantindo para março entre 22 (milhões) e 25 milhões de doses, podendo chegar a até 38 milhões de doses — disse.

Fonte: O Globo.com